Como tudo começou...


Comecei a escrever contos por volta dos 20 anos de idade (1998), mas apesar da vontade de um dia publicá-los, naquela época escrevia em um caderno que foi extraviado junto com a minha bagagem em uma viagem de trabalho para Belém e, aborrecida, terminei perdendo o interesse de recomeçar do zero. O tempo foi passando e ao longo desses 17 anos escrevi algumas coisas muito despretensiosamente, mas que me rendiam boas gargalhadas, entre outros sentimentos, em momentos de ócio. 
Em 2009 fui tocar em uma festa aqui em Salvador e uma pessoa me segurou pelo braço para dizer que apesar de adorar o som que eu fazia, a música não me levaria pra lugar nenhum. Que eu seria uma escritora e que faria isso até ficar velhinha. Na hora achei meio louco e dei risada, porque estava completamente fora de qualquer possibilidade no contexto que vivia, mas olha eu aqui!!! Outro dia mandei um inbox no facebook para ela para falar sobre o assunto e ela não tinha a consciência dessa conversa. Acha que me deu um recado da espiritualidade e como boa espírita que sou, não tenho como desacreditar disso.
Em 2010 fui fazer meu primeiro mapa astral e a astróloga ficou repetindo durante toda a minha leitura que meu caminho estava marcado por publicações e que não havia como mudar isso.
Em 2011 fui a uma taróloga e a primeira frase dela, eu disse a 1ª, na primeira carta virada, foi: - Você vai lançar um livro?
Ainda assim não havia caído a minha ficha...
Em 2012 o universo conspirou “ao meu favor” e me jogou no meio do olho do furacão. Fui acometida por um problema de saúde e passei cinco meses sem poder sair de casa sozinha... isso me prendia semanas sem botar o pé na rua. Sempre ouvi dizer que a gente reconhece nossos amigos de verdade quando perdemos a saúde ou o dinheiro e nem posso mentir, negar que senti esse clichê na pele. Hoje posso dizer sem o menor constrangimento: Meus AMIGOS eu bem sei quem são!
Sou uma leitora voraz desde que me entendo por gente. Nem havia completado 6 anos de idade e já andava com revistinhas debaixo do braço, mas nessa época que adoeci, era basicamente tudo o que eu fazia. Lia compulsivamente e foi aí que vi uma matéria sobre a trilogia “Cinquenta tons de cinza” e fiquei curiosíssima. Em uma semana eu li os três livros, sendo que o “Cinquenta tons de liberdade” nem havia sido lançado no brasil e eu li pelo iPad. Não sei se já passaram por isso, mas sabe quando você pega um livro e ele te faz ter vontade de reescrever algumas partes? Foi exatamente isso que aconteceu! Apesar de ter amado o início da trama, no meio eu já estava um pouco entediada e no final me questionei: Para que mais de 1500 páginas para contar algo que poderia ter sido finalizado com 500 sem tanta enrolação? Até o erotismo fica chato se for prolixo... E fui mordida pela vontade de retomar a escrita. Foi uma força muito mais forte do que minhas limitações físicas. Sentei com o notebook no colo e mergulhei em devaneios dando vida ao Gabe (O quarto do sonho), que nasceu literalmente de um sonho para desconstruir o rótulo de que homens poderosos são aqueles cheios da grana ou cheios de traumas. Sou imensamente grata a E. L. James por ter despertado a autora/escritora que vivia escondidinha dentro de mim e ainda mais pelo boom na literatura erótica. Foi uma revolução entre homens e mulheres, independente da crítica.
Em treze meses (novembro de 2013) eu havia finalizado a trilogia “Entre Quatro Paredes” e aí então é que comecei a estudar possibilidades para uma possível publicação. Não sabia por onde começar e nem se teria apoio da minha família, mas sabia que não podia deixar os arquivos guardados, frustrando o meu desejo de dividir devaneios com outros leitores. Minhas amigas haviam amado. Eu lia e relia me questionando se tudo fazia sentido e quando me senti segura, em fevereiro de 2014, comecei a procurar uma editora que apostasse nesse primeiro trabalho. Foi fácil? Nem um pouco. Estressante? Muitas vezes. Desanimador? Também... Mas sabia que de onde havia chegado, não podia retroceder e em julho assinei com o selo Talentos da Literatura Brasileira – Novo Século, começando a dar vida ao sonho tardio de segurar um livro com meu nome na capa e doses generosas de fantasia em todo o resto. Às vezes ainda demoro de acreditar que virou realidade e que estou apenas engatinhando nessa nova jornada. Hoje estou escrevendo dois livros ao mesmo tempo e apesar de não querer fugir do soft porn, um deles está enveredando para outro gênero. Assim que terminar vou contar para vocês.
Não consigo viver sem livros! Tudo na minha vida gira em torno desse universo e a minha felicidade íntima essa ligada diretamente a ele. Minha realização pessoal e profissional vem dele. Durmo e acordo todos os dias alimentando ideias, planos e projetos para não desanimar diante dos contratempos. Não me canso de agradecer por não me faltar inspiração e luto para que as dificuldades não me façam refrear o sonho de ser uma escritora respeitada. Tenho muitos sonhos, mas o maior deles, que nasceu quando eu mais precisava e menos esperava, eu já realizei!!!
Que venham muitos outros...

Renata Dias

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