Falando de amor...




Como autora, diversas vezes me pego refletindo sobre a "necessidade" de abordar determinados temas nas minhas obras. O fato de o gênero ser romance não me engessa e todo assunto me convém. Me questiono se o que me machuca deve ser relatado ou se devo "falar apenas de flores". A vida não é tão colorida como eu gostaria que fosse e me dói ter que conviver com a cruel realidade de gente que não sente amor. Amor puro, incondicional, sem nada esperar em troca...

No livro que estou finalizando a personagem Brisa sofre tentativas de abuso e tem sido bastante dolorido me relacionar com as sensações dela. Tenho tido que parar para respirar, para tentar sair da angústia que a sombra dela me causa... Acho que essa é uma das razões de estar demorando de encerra-lo. Até cogitei não continuar, mas sua superação é algo me comove e me faz achar que preciso publicá-lo. Desistir deixou de ser uma opção...

Esse post aborda algo que vem me assombrando ao longo dos últimos meses: o preconceito. Tenho muita vontade de escrever uma grande história de amor que envolva o tema, mas sabe quando te soa "medieval"? Despropositado e completamente desnecessário...?
Pena estar enganada. Gostaria de estar errada.

O tema é atual e por mais que eu queira acreditar que o "ser humano" atropelou as diferenças da cor da pele, da crença ou da orientação sexual, todos os dias somos bombardeados com notícias tristes como essas. Pessoas que são humilhadas, intimidadas, perseguidas sem nenhuma razão. Tem gente que morre por ser quem é. Não existe lógica para isso. Não existe justificativa e, se alguém achar que existe, é favor nem se abalar em tentar me contar.
Ela não é diferente, ela só não é igual a você! Olha que mágico em um mundo inteiro com bilhões de habitantes, não existir uma só pessoa exatamente igual a outra?! Isso é a mais pura de arte desenhada por quem sabe muito além das convicções terrenas... É divino, de Deus ou dos deuses, mas não é daqui e é para sempre.


Escolhi essa foto para retratar o assunto e poderia ser da Maria, da Thaís ou do Gabriel, mas... como não se apaixonar pela Titi?!
Bruno e Giovanna a adotaram no Malauí e é impossível conter a emoção que me toma quando vejo as fotos deles. As expressões de carinho, cuidado... Sintonia. Conexão que vai além dos laços genéticos. A certeza de ver uma família completa e muito feliz é automática. Como alguém consegue ter a maldade de criticar quando só o que transparece é amor?
Eles foram alvo de ofensas em redes sociais. Mais um caso dentre tantos outros, mas gente... pelo amor de Deus! Independe de ser criança ou adulto e para mim não tem importância se ela é africana, brasileira ou de Marte. Para mim o que vale é ver que o amor não tem fronteiras e que está por toda a parte. Está dentro de nós e na forma que percebemos o mundo. No respeito que deveria ser obrigatório, mas que, ao menos, devotamos de coração aberto quando compreendemos o direito de cada um fazer as suas escolhas e abraçamos as causas, que nesse caso, é expressamente notória ser uma compatibilidade total de lindas almas!


Não quero sujar essa nota e entrar na seara de falar sobre anônimos que se enchem de coragem por se sentirem protegidos por perfis falsos porquê, na minha opinião, tem que ser muito covarde e infeliz para viver a vida tentando atingir o outro. Esses indivíduos não são apenas pessoas que não sabem conviver com as diferenças. Racismo é crime e deve ser tratado como tal.
Justiça é o mínimo que se pode esperar quando o amor não tem o poder de atropelar as pequenezas de quem se importa apenas com a aparência.


Espero que as pessoas consigam enxergar além do couro, do caso, do credo ou da conta. Que abram os olhos do coração e se permitam sentir o que está além das convenções, do que resolvemos rotular como certo|errado, feio|bonito, caro|barato.
A vida é muito mais do que um acelerado de dias com noites no meio...
A vida é cada minuto vivido.
Cada palavra citada.
Cada atitude manifestada.
A vida é o que VOCÊ É e isso vale mais do que (pré)conceitos impregnados na sua frágil natureza. Amanhã já não seremos o que somos hoje... Oxalá que assim seja!

Espero que um dia a gente possa olhar para trás e reconhecer que posicionamentos maldosos como esses de quem ataca ficaram no passado. Trata-se de evoluir, seguir adiante desprendendo-se de amarras ultrapassadas que enfraquecem o caráter.
Que a gente absorva a compreensão de que temos a obrigação de buscar a construção moral, a reforma íntima, onde a palavra respeito é mais do que um significado descrito em dicionário. Mais do que considerar ou ter apreço... Que seja aplicado na prática sem distinções. Que seja de alma para alma... De coração para coração.

Em frente e avante e, falando de amor, para ele não existem limites!

Renata Dias


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