Compreendendo a família

Muitas vezes nos sentimos incompreendidos por pessoas da nossa própria família e nem sempre nos esforçamos para enxergar e aceitar que, se viemos todos juntos nessa vida, é porque temos uma cesta de retalhos para costurar...

Nós, os retalhos, combinamos mais com umas cores do que com outras, que seriam as afinidades da alma que são resgatadas a cada encontro. Nas trocas silenciosas de olhares, de sorrisos, de abraços, sem sequer ser necessária uma única palavra que as defina. Elas existem e se expressam no dia a dia como um bálsamo acalentador, nos trazendo o conforto, nos fazendo sentir estar no lugar certo com as pessoas certas.

Mas tem a textura do tecido que declara o desgaste, as provas que fazem de nós seres humanos mais firmes ou maleáveis de acordo com as experiências vivenciadas. Trazemos nos nossos registros uma série de marcas e somente aprendendo a compreender as diferenças entre nós e aceitando a perfeição do Criador em nos unir, a fim de nos fazer ser irmãos de uma jornada, é que deixaremos que os fios se enlacem apresentando a harmonia entre cada pedaço.

Os tamanhos também são díspares. Neles estão a nossa vaidade, o ego, os apegos, os medos, as emoções vacilantes... mas também estão encharcados de nobres sentimentos, de coragem e amor, dentre tantas outras particularidades cheias de luz, que fazem de nós tecidos únicos, sempre prontos a asilar o que está ao lado, resgatando o equilíbrio para seguirmos adiante, juntos, no caminho evolutivo, sem que nenhum dos retalhos se sinta menosprezado ou valoroso em demasia.

Deus não criou moldes em série. Existem as semelhanças, mas nenhum retalho é exatamente igual a outro e, invariavelmente, muitas vezes precisaremos parar para remendar um ou outro pedaço. Tingir aqueles que com o tempo permitem que sejam desgastadas as suas minúcias, esgarçadas as suas forças, testadas as suas convicções.
Cada um com a sua forma de conduzir os seus caminhos, porém, conscientes da necessidade de encaixe, de enlace, levará pela eternidade consigo, lembranças de tudo o que se foi vivido juntos.

Que essa colcha de retalhos que constitui a nossa grande família seja sempre acolhida e esteja sempre acolhendo, ajudando e aprendendo, completando e crescendo... no respeito, na admiração, no amor e na certeza de que estamos permanentemente costurados pelas linhas invisíveis dessa trilha que denominamos: VIDA.

Renata Dias

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