O outono em nós...



Nos primórdios, aqueles que habitavam o planeta eram seres ritualísticos. Celebravam as transformações, os mistérios e todos os fenômenos da natureza como os seus ciclos lunares e das estações. Eles acreditavam que os mesmos deuses que os brindavam também os puniam e por essa razão honravam as suas leis. Não era uma relação de devoção embasada no medo, mas no respeito a uma hierarquia que colocava um deus no lugar de um deus e o homem no lugar do homem.

Festejava-se o plantio, o recolhimento e a colheita. Tudo tinha tempo e hora justos de acontecer e isso o tempo por si só não conseguiu mudar, mas o homem, encegueirado pela necessidade do poder, se dedicou a encontrar formas de acelerar os processos naturais deixando de lado as leis do universo e comprometendo a saudabilidade da humanidade.

Não foram só os corpos físicos que enfraqueceram nessa seara que vem correndo milênios. A humanidade adoeceu e esqueceu  que aporta os poderes dos seus ancestrais e que as suas Almas estão embebidas de aprendizados. Que os deuses são imortais e que a herança deixada por eles está expressa no nosso cotidiano ultrapassando as barreiras do tempo e da ignorância.

A celebração pela chegada do outono era regada a vinho e dança. As mulheres giravam rodeadas por círculos de fogo, onde clamavam pela presença da deusa Deméter, a mãe de todos, mãe da terra, aquela que nutre e acolhe, que rege as chegadas e partidas, e detém o controle das quatro estações que refletem seu estado de dor e graça, como as mães que precisam conviver com a perda ou ausência dos amados filhos.
A deusa reflete a mãe em todas as mulheres do mundo e abriga os seus corações, assim como a terra abriga a semente, para que um dia possam voltar a florir. Generosa, ela alimenta todos os seres com a esperança em dias melhores, ricos de sabedoria e da certeza de que do chão brota a vida, assim como do âmago de cada ser brotam o amor, a gratidão e a caridade. Que a partilha gera multiplicidade e que esse deveria ser o fluxo natural de todas as coisas refletidas na terra.
Esse é um dos ensinamentos que se perdeu com a ganância humana e que começa a ressurgir entre os semeadores de Luz presentes na terra.

A partir de hoje muitas flores cessarão e folhas cairão ao chão pintando o solo de grená e dourado, estirando um tapete que os convida à um momento de recolhimento e reflexão. Dias mais sóbrios que deixam uma sensação de corações mais frios e distantes.

Tempo de reconhecer o poder de Deus e da deusa e os seus desígnios, assim como sempre o é, porém com uma consciência voltada para o interior das Almas e os seus propósitos.

Tempo de olhar para dentro e buscar o florescimento que não se dá fora. De cultivar bons pensamentos e sentimentos.

Tempo de assegurar que a chama se mantenha acesa, aquecendo as suas convicções  e pondo luz no que está obscurecido pelos desejos, vícios e carências terrenas.

Tempo de despertar o que tem de melhor. De olhar para as sementes que foram plantadas e analisar, com olhar amoroso, o seu progresso. Alterar padrões e buscar caminhos edificantes e reformadores no processo evolutivo.

Tempo de aprender com o que passou para compreender cada instante vivido. Tempo de agradecer... Assim sempre foi e para sempre será.

Gratidão 
Renata Dias
(Através de registros Akáshicos em 19.03.2018).
@muitoalemdemim_
💛🍁

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